top of page

Prêmio Trajetórias: conheça quem mantém viva a arte do teatro de bonecos!

Quatro artistas com histórias marcantes e importantes contribuições para o teatro de bonecos no Rio Grande do Sul estão na disputa pelos Prêmios Tânia de Castro Saraiva e Graziela de Castro Saraiva, do Festival de Teatro de Bonecos – Teatro Bancários RS. Conheça Reneidi Mezeck de Sena, Ubiratan Carlos Gomes, Mário de Ballentti e Paulo Martins Fontes, semifinalistas que representam a força, a memória e a resistência dessa linguagem artística. A escolha dos homenageados será feita por voto popular, valorizando o reconhecimento do público a quem dedica sua trajetória a essa arte.

Mário de Ballentti

Apresentação 

Mário de Ballentti é ator, diretor, cenógrafo, figurinista e bonequeiro, fundador e diretor artístico da Cia. Caixa do Elefante – Teatro de Bonecos. Com mais de 43 anos de trajetória, atua na criação, construção e manipulação de bonecos, cenários e marionetes, além da formação de artistas e técnicos do teatro de animação.

​

Nascido em Rio Grande (RS), iniciou sua carreira teatral em 1978, aos 16 anos, no Grupo Teatral Cacilda Becker. Desde então, desenvolveu uma trajetória multidisciplinar, passando pela atuação, cenografia, figurino, direção e criação de objetos cênicos, com trabalhos realizados em diferentes grupos e companhias do Brasil.

​

Sua formação inclui importantes experiências no Brasil e no exterior, com mestres e instituições de referência no teatro de animação, entre elas o Institut International de la Marionnette, na França, a École Philippe Gaulier, em Londres, e cursos e intercâmbios na Espanha, Itália e outros centros internacionais de pesquisa em marionetes e teatro de figuras.

​

À frente da Caixa do Elefante, criou e dirigiu espetáculos que receberam diversos reconhecimentos, entre eles os prêmios Quero-Quero, Tibicuera e distinções em festivais nacionais. Entre seus trabalhos de destaque estão “Histórias da Carrocinha”, “O Cavaleiro da Mão-de-Fogo”, “Cuco – A Linguagem dos Bebês no Teatro” e “Bom Pra Cachorro – O Circo-Teatro do Abelardo”.

​

Sua produção alcança festivais, teatros e instituições culturais de diversas regiões do Brasil e também circuitos internacionais, com participações em países como Uruguai, Argentina, Espanha, Itália, França e Canadá. Paralelamente à criação artística, Mário desenvolve oficinas, residências, palestras e processos de formação em teatro de animação, construção e manipulação de bonecos.

​

Nos últimos anos, manteve intensa atuação artística e formativa, com circulação de espetáculos, criação de bonecos e cenografias e participação em projetos voltados à infância e à democratização do acesso à cultura. Em 2021, recebeu o Prêmio Trajetórias Culturais da Lei Aldir Blanc, reconhecimento à sua trajetória no campo das artes. Em 2026, segue em atividade com a Caixa do Elefante, levando espetáculos e ações de teatro de animação a diferentes cidades e públicos.

 

Justificativa

Ator, diretor, cenógrafo, figurinista e metre bonequeiro graduado em Artes Visuais pela ULBRA, fundador da Cia. Caixa do Elefante, iniciei meu treinamento de ator com o grupo Pés na Terra, direção de Maurício Guzinski e orientação de Nair D’agostini. Participei da Cia. Etceteratral sob a direção de Nestor Monastério recebendo vários prêmios. Atuei no Grupo Depósito de Teatro sob a direção de Roberto Oliveira. Cursei Oficina de direção com Margareta Nicolescu do Institut de la Marionnette (França). “Cenografia, Espaço e Imagem”, com Álvaro Apocalipse do Grupo Giramundo (MG) e Oficina de manipulação com equipe do Canal + (Plus), em Charleville-Mézières ( França). Oficina “Teatro de Figuras” ministrada por Massimo Schuster, Curso de clown da École Philippe Gaulier, Londres (Inglaterra), estágio no musical “Miss Saigon” no Theatre Drury Lane, Londres (Inglaterra). “Poética de la Cosa”, oficina de dramaturgia com Maurício Kartun, Sevilha (Espanha).  Atuei na Cie Houdart-Heuclin  sob direção de Dominique Houdart no Festival de Jazz de Montreal  (Canadá ). Atuei nos programas TV Colosso da Rede Globo e séries da TV FUTURA. Com o boneco Abelardo atuei em festivais na Europa, América do Norte e América Latina.  Atuei por 12 anos no SESI BONECOS DO BRASIL/MUNDO e FITO – Festival Internacional de Teatro de Objetos, atuando em todas as capitais do país. Participei do Rumos Itau, intercâmbio com a Cia Pequod (RJ ). Participei do Projeto Conexão em Cena, montagem e intercâmbio com grupos de teatro de Porto Alegre e atores da cia. francesa Tèâtre Du Soleil para montagem inspirada nas obras de Nelson Rodrigues, Os Plagiários. Atualmente dirijo o espetáculo “Cuco – A linguagem dos bebês no teatro” com a cia Caixa do Elefante e atuo no espetáculo de bonecos Bom Pra Cachorro, o circo-teatro do Abelardo.

​

Passei a ser chamado de mestre, não por ter feito mestrado na universidade, mas por conviver com mestres mamulengueiros nos 12 anos existência do Festival SESI Bonecos do Brasil. Me chamavam assim nos bastidores. Mestre pra cá, mestre pra lá. Achava estranho. Um dia parei pra pensar na minha história com o teatro de animação e entendi que construir bonecos e ensinar os outros era da minha natureza. Quando fundei a cia Caixa do Elefante, juntamente com Paulo Balardim e Ben Hur Dalla Porta, em 1991, não imaginava que criávamos um depositório infinito de conhecimento em tecnologias do teatro de animação e que logo seriam compartilhadas com outra centena de grupos em formação por todo o Brasil. Trabalhei construindo bonecos para o teatro, cinema e televisão. Desenvolvi modelos de construção para teatro de luvas, luvas com varas, marionetes de fios, teatro de sombras, manipulação direta, teatro de figuras, teatro de objetos, bonecos híbridos e animatrônicos.  Mesmo antes de me graduar em Licenciatura em Artes Visuais me mantive próximo as universidades, aos cursos de pedagogia e artes realizando oficinas para educadores e artistas. Sou responsável por um acervo de mais de 5 mil documentos escaneados e salvos da enchente de 2024, grande parte dos meus bonecos foram doados para os bonequeiros depois que nossa sede foi alagada no bairro Floresta.

MÁRIO DE BALLENTTI - FOTO IRENE SANTOS.jpg
MÁRIO DE BALLENTTI - FOTO Juliano Mendes_.jpg
ABELARDO foto Ernani Marques_.jpg

Paulo Martins Fontes

Apresentação 

Cia Gente Falante – Teatro de Bonecos: 35 anos de criação, pesquisa e poesia com a matéria

Fundada em Salvador/BA, em 1991, e dirigida artisticamente por Paulo Martins Fontes, a Cia Gente Falante – Teatro de Bonecos constrói há 35 anos uma trajetória continuada de criação, pesquisa, formação e difusão do Teatro de Formas Animadas. Desde 1995, com a transferência de Paulo Martins para Porto Alegre, a companhia estabeleceu no Rio Grande do Sul um núcleo permanente de produção e investigação.

​

Sua pesquisa compreende o boneco, o objeto, a sombra, a miniatura, a matéria e o corpo do ator como elementos de uma mesma linguagem poética. O princípio artístico parte da ideia de que “o ânima do boneco ou objeto é a matéria-prima primordial para criar a nossa poesia”. Assim, diferentes técnicas — bonecos de balcão, luva e vara, manipulação à vista, teatro de objetos, sombras, miniaturas e formas híbridas — articulam-se em dramaturgias nas quais a matéria adquire presença, personalidade e capacidade narrativa.

​

Ao longo desse percurso, a companhia criou obras como 4 Contos para Teatro de Bonecos, O Teatro de Sombras de Ofélia, Sob a Luz da Lua, João e Maria, Sidério – Irmão do Espaço, Circo Minimal, Xirê das Águas – Odoyá, Louça Cinderella, Xirê das Águas – Orayeyê Ôh, Caixa de Música e Maria Peçonha. Cada espetáculo representa uma etapa da investigação, explorando diferentes relações entre escala, imagem, objeto, música, luz e proximidade com o espectador.

​

A trajetória inclui circulação por festivais e projetos no Brasil e no exterior, além de reconhecimentos como o Prêmio Tibicuera. Paralelamente, a Cia desenvolve ações de formação, oficinas, intercâmbios, exposições e preservação de acervo, reunindo bonecos, objetos, maquetes, figurinos, cenografias, desenhos e documentos que registram décadas de experimentação.

​

Mais que um repertório, a Cia Gente Falante construiu uma poética da matéria: uma investigação sobre como madeira, tecido, louça, papel, objetos cotidianos, sombras e imagens podem ganhar ânima e falar de memória, ancestralidade, natureza, relações humanas e transformação.

​

Há 35 anos, animar, para a companhia, é estabelecer uma relação de escuta entre corpo, matéria, espaço e imaginário — transformando o aparentemente inerte em presença cênica e poesia.

 

Justificativa

Relevância artística, cultural, social e territorial da Cia Gente Falante

Ao completar 35 anos, a Cia Gente Falante – Teatro de Bonecos, fundada e dirigida artisticamente por Paulo Martins Fontes, apresenta uma trajetória que ultrapassa a produção de espetáculos. Sua relevância está na pesquisa continuada do Teatro de Formas Animadas, na formação de artistas, na circulação territorial, na democratização do acesso à cultura e na preservação de conhecimentos, técnicas e memórias.

​

Fundada em Salvador, em 1991, e consolidada em Porto Alegre, a companhia construiu uma linguagem própria a partir do diálogo entre bonecos, objetos, sombras, miniaturas, matéria e corpo do ator. Ao longo de sua trajetória, participou de importantes festivais e projetos nacionais e internacionais, entre eles Porto Alegre em Cena, Festival Espetacular de Teatro de Bonecos, FITO, SESI Bonecos do Brasil e do Mundo e Palco Giratório SESC, além de circulações pelo Mercosul e Espanha.

​

A circulação por diferentes regiões brasileiras constitui importante dimensão de sua atuação. Projetos como SESI Bonecos do Brasil e do Mundo e Baú de Histórias levaram suas criações a diferentes estados e públicos, estabelecendo intercâmbios entre artistas, instituições e comunidades e contribuindo para a democratização territorial da linguagem.

​

A formação é outro eixo fundamental. A Cia desenvolve oficinas, workshops e intercâmbios sobre construção, manipulação, dramaturgia, cenografia e diferentes técnicas de animação. Paulo Martins também colaborou na formação e orientação de diversos grupos brasileiros, ampliando a transmissão desses saberes e contribuindo para a profissionalização do setor. A oferta de atividades gratuitas ou de acesso democrático aproxima o conhecimento especializado da comunidade.

​

Sua produção demonstra ainda a capacidade do Teatro de Bonecos de abordar questões sociais, ambientais e culturais por meio da poesia. João e Maria dialoga com abandono e vulnerabilidade infantil; Maria Peçonha articula natureza, território e consciência ambiental; enquanto Xirê das Águas – Odoyá e Orayeyê Ôh aproximam formas animadas, ancestralidade e culturas afro-brasileiras e indígenas. Em Louça Cinderella, objetos cotidianos transformam-se em personagens, revelando delicadeza, humor e humanidade.

Reconhecimentos como os Prêmios Tibicuera, além de diversas indicações e distinções, evidenciam a continuidade do rigor artístico e técnico da companhia.

​

Outro aspecto essencial é a preservação da memória. Bonecos, objetos, maquetes, figurinos, cenografias, desenhos, documentos e registros constituem um patrimônio material e imaterial de 35 anos de pesquisa. O espaço da Cia Gente Falante em Porto Alegre articula criação, formação, produção e preservação, funcionando como atelier, escola, núcleo de pesquisa e território de memória.

​

Assim, sua trajetória pode ser sintetizada em cinco ações: CRIAR, PESQUISAR, FORMAR, CIRCULAR e PRESERVAR. Mais que uma companhia de repertório, a Cia Gente Falante constitui um núcleo vivo de criação, conhecimento e memória do Teatro de Formas Animadas brasileiro.Sua maior contribuição talvez esteja na permanência: boneco a boneco, espetáculo a espetáculo, cidade a cidade, mantendo viva a capacidade do teatro de animar a matéria, provocar reflexão e humanizar o olhar.

​

“Toda miniatura é um convite para que o olhar se torne maior que o mundo.”

CIRCO MINIMAL todos os bichos - Cristine Rochol - Cia Gente Falante Teatro de Bonecos RS Brasil.jpg
CiaGenteFalante_RS_Maria Peçonha_FOTODE   Adriana Marchiori.png
DSC_0297Louça Cinderella Foto Daniel Sena.jpg

Reneidi Mezeck de Sena

Apresentação

Reneidi Mezeck de Sena é a bonequeira há mais tempo em atividade no país. Formada na Escola Técnica Senador Ernesto Dornelles, em Porto Alegre, trabalhou por 23 anos como professora de Artes nas escolas públicas Santa Rita de Cássia e Afonso Guerreiro Lima.

​

Um de seus primeiros trabalhos, nas artes cênicas, foi de confecção de adereços para a montagem teatral Auto da Barca do Inferno, dirigido por Lucia Melo, um trabalho de conclusão do Curso de Artes Dramáticas da UFRGS. Trabalhou como figurinista  para a peça “Colombo Abre as Portas de Teus Mares” de Carlos Carvalho, encenada no Clube de Cultura, com direção de Antonio Carlos de Sena. Fez figurinos para espetáculos de teatro de bonecos, ao longo de sua carreira.

​

Iniciou no TIM - Teatro Infantil de Marionetes em 1963, atuando como contra regra e assistente de manipulação. Em 1970, passa a ser uma das principais manipuladoras da companhia, ao lado de Antônio Carlos Sena. Viajou com o TIM por inúmeros festivais no Brasil, Uruguai, Portugal e França. Destacam-se na sua trajetória a Gira pelo Uruguai, 1975; Festival de Teatro de Bonecos de Recife, 1975;  o Festival Internacional de Teatro de Bonecos de Brasília, 1977; Festival Internacional de Teatro de Bonecos de Curitiba;  Festival Internacional de Teatro de Bonecos de Canela de 1989 a 1999; Festival Mondial de Marionettes de Charleville, 1994; Mostra Porto Alegre em Montevideo; 2001; 11º Porto Alegre em Cena, 2004; 9ª Bienal Internacional de Marionetas de Évora - Portugal, 2005;  70ª Feira do Livro de Porto Alegre, 2024; 7º Animaneco Joinville/SC - Performance TIM 70 anos; 19º Palco Giratorio SESC/RS, 2025; Mostra Teatro de Bonecos PNAB/Sedac, 2025 e  9ª Edição Noite dos Museus de Porto Alegre, 2025.

 

Em 2004, o TIM foi grupo homenageado no 11º Porto Alegre em Cena, pelos 50 anos da companhia. Em 2017, participa do curta metragem Sena: Fios em Prosa, premiado no Festival de Cinema de Gramado com menção honrosa. 

 

Em 2024, aos 81 anos, estreia como convidada especial, a nova montagem da companhia em comemoração aos 70 anos do TIM. Reneidi, ao longo de sua trajetória, sempre foi uma marionetista que dedicou-se à arte, aos palcos e aos bastidores, cuidando da preservação do acervo de  mais de 60 marionetes da companhia, reparando figurinos e desenlinhando fios, tarefa que exige dedicação e técnica.  


 

Justificativa

Com uma trajetória de mais 60 anos, Reneidi é a marionetista mais longeva do país. Prestes a completar 83 anos, continua em plena atividade. Em 2024, o espetáculo TIM 70 anos estreou no Multipalco em Porto Alegre, prestando uma homenagem às sete décadas do grupo e ao seu fundador, Antonio Carlos Sena. Com essa nova montagem circulou por diversas cidades do Rio Grande do Sul e em festivais de teatro como Palco Giratório SESC/RS e Animaneco, em Joinville/SC.

 

Seu papel é fundamental na preservação da companhia e do seu acervo de bonecos e documentos garantindo  a preservação  da história dessa companhia que é o mais antigo grupo de teatro de bonecos em atividade no Brasil. O acervo do TIM está preservado na casa da família Sena. São 70 bonecos de fio, fotografias, documentação, matérias de jornais, filmes em 16mm e um repertório de mais de 80 textos originais, encenados tanto no teatro como na televisão. A manutenção desse patrimônio do teatro de bonecos no Brasil se deve ao trabalho e dedicação de Antônio Carlos Sena, falecido em 2024, e Reneidi Mezeck de Sena, que é, sem dúvida, uma referência para o teatro de bonecos no Brasil.  

Foto_ Antônio Sena_1978.jpg
mostra_teatro_bonecos_maquine.02_30_02_27.Still277.jpg
Foto_ Antônio Sena_1978(1).jpg

Ubiratan Carlos Gomes

Apresentação

Ubiratan Carlos Gomes, conhecido também como Mestre Bira, nasceu em Cachoeira do Sul e é bonequeiro, artista plástico, desenhista, músico e autor. Sua formação artística começou ainda na juventude, ao lado do irmão gêmeo Tiarajú Carlos Gomes, com quem desenhava, pintava, tocava e fazia teatro. Em 1977, os irmãos e Texo Cabral formaram o grupo musical Santa Preguiça e se estabeleceram em Porto Alegre, onde participaram de diferentes espetáculos e movimentos culturais.

 

Em 1984, Ubiratan e Tiarajú fundaram o Anima Sonho Teatro de Bonecos, iniciando uma trajetória de mais de quatro décadas dedicada à criação, à construção e à animação de bonecos. No centro dessa trajetória está o boneco de luva, técnica na qual os irmãos se tornaram mestres. Sua linguagem combina síntese e precisão de movimentos, ritmo, música, voz, improvisação, humor e relação direta com o público. Dialoga com a irreverência do Mamulengo brasileiro e com tradições titiriteiras latino-americanas, sem se limitar à reprodução de modelos, construindo uma expressão própria, popular e reconhecível.

 

Espetáculos como “Bonecomédia”, “Bonecrônicas”, “O Ferreiro e o Diabo”, “Berenice” e “Miséria” revelam a diversidade dessa pesquisa. Pequenas cenas, números musicais e narrativas ganham força pela presença dos bonecos, pela habilidade dos manipuladores e por uma dramaturgia capaz de se comunicar com públicos de diferentes idades. O trabalho do Anima Sonho percorreu numerosas cidades brasileiras e alcançou países como Uruguai, Argentina, Equador, Colômbia, Venezuela, Portugal, Espanha, Itália e Japão, participando de festivais, mostras e intercâmbios.

​

Após o falecimento de Tiarajú, em 2005, Mestre Bira deu continuidade ao trabalho com o bonequeiro Cacá Sena, preservando as criações construídas pelos irmãos e desenvolvendo novos projetos. Sua produção também ultrapassa o palco e reúne música, desenho, pintura, histórias em quadrinhos e pesquisas visuais relacionadas ao teatro de bonecos.

 

Em 2026, apresentou em Gramado a exposição “I Love Luva II”, composta por desenhos em nanquim que homenageiam personagens e tradições do boneco de luva de diferentes culturas, como Guignol, Mr. Punch, Pulcinella e Mamulengo. A exposição aproxima sua produção plástica da memória e da diversidade dessa técnica, reafirmando que sua pesquisa permanece ativa.

 

Seu acervo também vem sendo organizado e compartilhado publicamente por meio de registros, vídeos e capítulos documentais sobre sua vida e o Anima Sonho. Mestre Bira continua criando e contribuindo para a preservação, a renovação e a circulação do teatro popular de bonecos, mantendo viva uma obra construída no encontro entre artes plásticas, música, dramaturgia, tradição e presença cênica.

 

Justificativa

Premiar Mestre Bira é reconhecer um artista cuja obra não se limita aos espetáculos que criou e apresentou: ela despertou vocações, influenciou grupos e ajudou a formar o próprio campo do teatro de bonecos no Rio Grande do Sul, no Brasil e em outros territórios latino-americanos.

 

Esta indicação nasce de uma experiência vivida. Alguns dos artistas que hoje integram o Atelier dos Bonequeiros e o grupo Bonecos da Montanha assistiram a Bira e Tiarajú quando ainda eram jovens. Não saíram daqueles encontros apenas entretidos ou admirados: saíram com vontade de brincar com bonecos, de compreender aquela técnica e de também fazer teatro. Com o tempo, esse desejo tornou-se ofício, profissão, grupo artístico e espaço cultural. Por isso, nossa indicação não é uma homenagem distante. É o testemunho direto das consequências que a obra de Mestre Bira produziu. Seu impacto pode ser percebido justamente nessa capacidade de transformar espectadores em futuros criadores.

 

Essa influência é reconhecida por artistas de diferentes regiões. A Trip Teatro, de Santa Catarina, o Nazareno Bonecos, da Bahia, e Marcelo Tcheli, do Rio Grande do Sul, já declararam que o trabalho do Anima Sonho foi uma inspiração para suas trajetórias. São manifestações que confirmam como a criação de Bira e Tiarajú atravessou gerações, alcançou outros grupos e contribuiu para o desenvolvimento de diferentes práticas no teatro de bonecos brasileiro.

 

O caso do grupo Kossa Nostra, da Argentina, torna esse legado ainda mais concreto. Inspirado pelo trabalho dos irmãos, o grupo deu o nome Anima Sonho ao espaço cultural que mantém em Puerto Iguazú. Com a autorização de Bira e Tiarajú, também montou diversos quadros cênicos do repertório do Anima Sonho e os levou a outros lugares da América Latina. Assim, a obra dos gêmeos ultrapassou a circulação de seus próprios espetáculos: foi acolhida, recriada e transmitida por outros artistas, alcançando novos públicos e territórios.

 

Bira e Tiarajú tornaram-se mestres do boneco de luva, uma técnica que exige domínio de ritmo, foco, voz, precisão e economia de movimentos. Em suas mãos, o boneco ocupa plenamente a cena, estabelece uma relação imediata com a plateia e parece pensar, reagir e escolher. Essa qualidade não depende de grandes aparatos, mas da presença do manipulador, do conhecimento acumulado e da escuta do público. O rigor técnico convive com a irreverência, a música, o improviso e o humor popular, construindo uma linguagem acessível sem ser simplificada e capaz de conversar com crianças e adultos.

 

A excelência do Anima Sonho foi reconhecida dentro e fora do país. O grupo participou de festivais e intercâmbios em diferentes continentes, representando o teatro de bonecos brasileiro em países da América Latina, Europa e Ásia. Mestre Bira foi homenageado no Festival Galicreques, na Espanha, e teve “O Ferreiro e o Diabo” publicado na coleção espanhola “Historias para Títeres”, inserindo sua dramaturgia em um importante registro internacional dedicado ao teatro de bonecos.

 

Sua contribuição também está na transmissão de conhecimentos. Ao longo da trajetória, Bira compartilhou saberes em oficinas, encontros, conversas e convivências com artistas mais jovens. Essa transmissão acontece de forma generosa e direta: não oferece somente procedimentos de construção e manipulação, mas uma maneira de compreender o boneco, o público e a responsabilidade de manter viva uma arte popular. Ao aproximar pessoas do teatro de animação, seu trabalho contribui para a formação de público, para o acesso à cultura e para o exercício da imaginação, da expressão e da cidadania cultural.

 

Após o falecimento de Tiarajú, em 2005, Bira assumiu a difícil tarefa de preservar a memória construída pelos irmãos e, ao mesmo tempo, continuar criando. Seu percurso não se transformou em uma lembrança encerrada. Ele segue apresentando, produzindo música e artes visuais, organizando seu acervo e colocando sua experiência em circulação. A exposição “I Love Luva II”, realizada recentemente em Gramado, demonstra essa permanência: por meio de desenhos em nanquim, Bira reuniu personagens tradicionais de diferentes países e transformou sua pesquisa sobre o boneco de luva em memória visual, encontro e formação.

 

Na abertura da exposição, diferentes gerações estiveram reunidas ao seu redor. Entre elas, artistas que o assistiram na juventude e pessoas que agora começavam a conhecer sua obra. Essa imagem resume a importância de sua trajetória: Mestre Bira permanece como elo entre memória e continuidade, entre os mestres que o antecederam e aqueles que encontraram nele a inspiração para seguir.

 

Conceder-lhe o Prêmio Trajetórias é reconhecer a excelência de um mestre que permanece em atividade e cuja experiência acumulada continua produzindo criação, pertencimento e futuro. É afirmar que a história do teatro de bonecos também se constrói por meio daqueles que, como Mestre Bira, fizeram da arte um modo de reunir pessoas, transmitir saberes e despertar em outras mãos a vontade de dar vida aos bonecos.

03-Ubiratan Carlos Gomes Credito_ Nega Marcia Rosi da Rosa Fialho.jpg
01-Ubiratan Carlos Gomes - Credito João Ricardo Estudio.jpg

INSTITUTO HOMINUS DE DESENVOLVIMENTO SOCIOCULTURAL

Associação sem fins lucrativos · CNPJ 07.496.356/0001-07

Rua Caldas Júnior, 20, conjunto 82 · Centro · Porto Alegre/RS · CEP 90010-260

institutohominus@gmail.com · (51) 3226-1966

Política de privacidade

bottom of page